Parte IV
“...é que vou escrever a mais memorável de todas as guerras que jamais se fizeram, a qual os cartagineses, comandados por Aníbal, sustentaram com o povo romano.” (Tito Lívio, XXI, 1).
De facto, a Segunda Guerra Púnica vai ter uma substancial em relação ao conflito anterior – o aparecimento de heróis, de homens que por si só fazem a guerra e a decidem, transformando-a numa autêntica epopeia. São homens como Aníbal e Cipião o africano, não Himílcone ou Régulo, que ocuparão doravante, tal como Alexandre Magno ou Napoleão, o imaginário da humanidade.
O prólogo hispânico
Na sequência dos acontecimentos anteriores, o general Amílcar Barca desembarca, em 237 a.C., com um considerável exército em Gades, sob o pretexto da exploração mineira para puder pagar a indemnização a Roma, esta foi a justificação dada ao Senado romano, mas o verdadeiro motivo era recuperar a hegemonia púnica na península. De facto, este envio de tropas e consequente movimentação parece significar uma quebra do domínio púnico na Hispânia durante o primeiro conflito, provocado talvez por movimentações de povos indo-europeus e por uma expansão da influência de Massalia (cidade grega perto da foz do Ródano), facilitadas pela guerra externa de Cartago. Antes de prosseguir convém salientar que esta ida de forças para a Hispânia em nada contraria as disposições do tratado de paz de 241 a.C..
NOTA:
Para estudar a Segunda Guerra Púnica, pelo menos, é imprescindível consultar a obra de Tito Lívio (Pádua 60 a.C. / 17 d.C.), Ab Urbe condita, isto apesar de o seu método historiográfico não usar do rigor científico e de propagandear descaradamente os valores romanos, nomeadamente os mais antigos. Uma história repleta de sentimento e parcialidade patriota e de apologia dos heróis. Por vezes o incorrecto uso das fontes – uma delas é Fábio, historiador contemporâneo da Segunda Guerra Púnica, que o próprio Tito Lívio menciona (T. L.,XXII, 7) – dá ao texto um sentido mais épico que histórico. É necessário ter em conta todos estes parâmetros quando o estamos a analisar.
Outra questão interessante é saber quando veio Aníbal para a Península Ibérica. Tanto Políbio como Tito Lívio referem que ele tinha nove anos e “...se obrigara a logo que pudesse ser inimigo do povo romano.” (Tito Lívio, XXI, 1). Na verdade os historiadores romanos, única forma que temos de conhecer estes acontecimentos, salientam a aventura ibérica de Cartago como o cumprimento metódico de um desejo de vingança por parte dos Barcas, de forma a justificar a atitude agressiva de Roma, fruto do seu imperialismo.
Não se sabe muito das movimentações de Amílcar, os historiadores greco-latinos quase não as mencionam, atribuem-lhe a recuperação da hegemonia púnica na Península (Políbio, II, 5). Sucede-lhe Asdrúbal e logo a seguir Aníbal, logo encetando uma política expansionista em direcção ao sul da Meseta central ibérica e ao interior até norte do Douro (território dos Vaceus).
Assim, Amílcar morre em campanha contra um dos povos indígenas, sendo substituído na governação da Hispânia cartaginesa pelo seu genro Asdrúbal que o fez durante oito anos (Tito Lívio, XXI, 2), “...uma administração activa e inteligente...” (Políbio, II, 13), baseada na diplomacia e não na guerra. Foi ele, o fundador de Nova Cartago, que acordou o tratado do Ebro em 226 a.C. – a colónia de Massalia, Emporion, receando a progressiva expansão cartaginesa, apelou, como aliada de Roma a sua intervenção, que resultou nesse tratado – consistindo no seguinte: “...interditando a Asdrúbal passar o Ebro com um exército...” (Políbio, II, 13) mas, também, “...que se conservasse a independência dos saguntinos, que ficavam entre as fronteiras do dois povos.” (Tito Lívio, XXI, 2), este acordo patenteia bem a tensão ainda existente entre as duas potências ocidentais. Asdrúbal é assassinado por vingança “...um bárbaro mata-o em público...” (Tito Lívio, XXI, 2), provavelmente um celta (Políbio, II).
Numa das deambulações de Aníbal de norte e sul do território, é provável que tenha fundado, para lá do Anas (Guadiana), perto de Portimão, uma localidade com o nome de Portus Hannibalis, entre os anos 221 / 218 a.C. (J. Alarcão). Assim a ocupação do actual sul do território português pelos cartagineses parece ser tardia, e sobre ela sabe-se muito pouco. De qualquer forma a ocupação da costa algarvia reflecte um incentivo à navegação atlântica (C. Fabião).Nada disto contraria o tratado do Ebro ou o de 241 a.C..
Tito Lívio enumera as inatas qualidades militares de Aníbal, mas também os seus defeitos: “...uma crueldade que ia para além da humana, uma perfídia mais que púnica, nenhuma sinceridade, nenhum respeito, nenhum temor aos deuses, nenhum valor ao juramento, nenhum sentimento religioso.” (Tito Lívio, XXI, 4). Esta era a propaganda romana, bem de acordo com a temática “liviana”. Mas, convém fazer aqui a apologia de Aníbal, deste herói púnico, um Hércules de resistência, um génio militar, desde a ciência logística à capacidade de envolver e destruir o adversário, da vocação diplomática à prodigiosa imaginação. É contra esta antítese que Roma vai lutar.
Entretanto, Sagunto, a sul do Ebro, na área de influência púnica, segundo o tratado de 226 a.C. pediu protecção a Roma, esta que procurava um pretexto para contrariar as vontades de Aníbal encontrou-o neste pedido. Apesar disso, as tropas hispano-púnicas declaram guerra aos saguntinos e cercam a cidade, pois “...já tudo para além do Ebro pertencia aos cartagineses, ao não ser os saguntinos.” (Tito Lívio, XXI, 5). Entretanto, estes últimos, enviaram uma embaixada a Roma, sendo cônsules P. C. Cipião e T. S. Longo, decidiu-se, entre hesitações, enviar uma embaixada para se reunir com Aníbal “...e dali a Cartago a exigir a entrega do próprio general, em reparação da violação do tratado, em caso de não se desistir do cerco.” (Tito Lívio, XXI, 6). Aníbal não os ouviu e o Senado cartaginês apoiou o Barca, com uma excepção, “...Ano foi o único que não obstante a oposição do Senado, advogou a causa da aliança...” (Tito Lívio, XXI, 10). Aníbal havia, após um longo cerco tomado Sagunto, ele e o seu experimentado e inovador exército mercenário sentiam-se aptos a atacar directamente Roma.
Vimos, então, qual a importância da Ibéria dicotómica na origem da Segunda Guerra Púnica. De facto, a península estava dividida. A sul e o oriente, a “civilização ibérica” de tradição orientalizante (semítica) e grega (Catalunha). E o mundo “indo-europeu de segunda vaga”, ocupando o restante território, conjunto de povos etnicamente uniformes, mas culturalmente diferentes (C. Fabião). Estes dois mundos talvez incentivados pelos povos do Mediterrâneo central e oriental, mais desenvolvidos, permutavam entre si, não só bens ou produtos, mas o mais importante: cultura e desenvolvimento.
218 / 201 a.C.
“...reanimados desde a destruição de uma cidade poderosíssima, atravessaram o Ebro; levavam consigo tantos povos dos hispânicos, obrigados a sair; e deviam ainda arrastar as nações gaulesas, sempre ansiosas por guerras: era como o mundo inteiro que se vinha a fazer à guerra na Itália e diante dos muros de Roma.” (Tito Lívio, XXI, 16).
Em Roma fez-se o sorteio, a Cipião calhou a Hispânia, apoiado em Massalia, a Longo a África e Sicília, apoiado no poderio naval. A guerra foi oficialmente declarada no Senado de Cartago por uma embaixada romana, que se dirigiu depois à Hispânia e à Gália em busca de alianças, sem sucesso. De referir um apontamento curioso, demonstrador das clivagens civilizacionais – o terror que sentem os romanos quando vêem os gauleses irem armados para a assembleia, isto é referido mais tarde por Tácito (De Germania) a propósito dos bárbaros germânicos. (Tito Lívio, XXI, 18, 19, 20).
Roma esperava uma vitória rápida, graças ao seu muito maior poderio naval que se vai manter ao longo de todo o conflito, influenciando, obviamente, o resultado final, tirará a Aníbal as hipóteses de retirar os dividendos das vitórias terrestres. Aníbal depois de precaver a defesa do seu principado militar (Combet-Farnoux) que era a Hispânia, “...destina o comando desta província a seu irmão Asdrúbal...” (Tito Lívio, XXI, 22), e de contactar com algumas tribos gauleses sempre hostis a Roma, enceta, como Pirro, um processo político-bélico, à maneira de Alexandre Magno, até Itália. A partir deste momento acompanharemos a saga de Aníbal, mas sempre com um pé na península Ibérica acompanhando a evolução do conflito de Asdrúbal com os Cipiões.
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Em 218 / 217 a.C., os irmãos Cneio e depois Públio Cornélio Cipião desembarcaram em Emporium, o primeiro combate da guerra, entre Aníbal e C. C. Cipião, resultou numa derrota de fracas consequências para os púnicos, após esta vitória hispânica, os romanos aquartelaram-se em Tarraco. Esta primeira vinda de romanos para a península não tinha intuitos imperialistas, era apenas uma estratégia de ataque e defesa em relação a Aníbal.
O ataque directo do púnico a Itália fez os romanos alterarem a sua estratégia, adaptando-a mais à defesa da sua península em detrimento do ataque à dos Barcas. Em Maio de 218 a.C., 60000 homens saíam da Hispânia, ou segundo a versão “liviana”: “...caminha para o Ebro pela costa do mar (...) com 90000 homens de infantaria e 12000 de cavalaria...” (Tito Lívio, XXI, 22, 23). A marcha lenta explica-se pela luta travada com as tribos a norte do Ebro. Depois do rio, o próximo obstáculo geográfico eram os Pirenéus, onde o exército sofreu pesadas baixas.
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Enquanto, as tropas púnicas marchavam em direcção ao Ródano, os gauleses cisalpinos desviavam a atenção romana para esta zona, esperando pela ajuda próxima de Aníbal, que chegou ao rio em Agosto. Entretanto, P. C. Cipião desembarcara em Massalia, queria destruir o cartaginês, que evitou esse choque; antes de chegarem a Itália. Esta tentativa romana saldou-se apenas por um pequeno recontro renhido e sangrento entre 500 cavaleiros númidas e 300 cavaleiros romanos (vencedores) – “...presságio da guerra, assim como prometia um resultado próspero no seu conjunto, assim prognosticou que a vitória não seria sem muito sangue e de fortuna vária.” (Tito Lívio, XXI, 29) – depois do Ródano. Assim, os invasores atrasaram-se e perderam a hipótese de cruzarem os Alpes em boa época.
Antes, porém, haviam acampado nas margens do Ródano, “Ele assegura por todos os meios a amizade das populações ribeirinhas, compra todos os seus barcos de uma só peça, assim como as suas canoas, que tinham em grande quantidade, pois fazem comércio marítimo.” (Políbio, III, 42). Estavam encurralados em pleno “...território dos Volcos...” (Tito Lívio, XXI, 26) com gauleses na margem em frente à sua espera e uma legião em Massalia. Um destacamento atravessa “...o rio no maior segredo, envolver o exército, para num momento oportuno, atacar o inimigo pela retaguarda.” (Tito Lívio, XXI, 27),e com Aníbal a atacar pela frente, os gauleses “...escapam-se em desordem...” (Tito Lívio, XXI, 28). Políbio (III, 46) descreve o transporte dos elefantes.
Relataremos agora a lendária travessia dos Alpes. Ao mesmo tempo, P. C. Cipião chegava ao acampamento abandonado no Ródano e julgando-se incapaz de alcança-los devido ao seu grande atraso, retornou ao mar “...deste modo se encontraria mais segura e facilmente com Aníbal ao descer dos Alpes.” (Tito Lívio, XXI, 32). Nenhum dos autores antigos indica ao certo os corredores alpinos por onde eles passaram, provavelmente foi entre o colo de Petit-Saint-Bernard e do Mont-Genèvre (Combet-Farnoux). As impressionantes perdas do exército inter- étnico de Cartago (apenas 26000 homens quando chegaram à planície do Pó), deveram-se aos primeiros nevões e aos ataques das tribos montanhesas. Esta travessia, não tão sobre-humana como é lendariamente reconhecida, está descrita em Políbio (III, 50 a 56).
Após cinco meses de marcha (Maio / Outubro de 218 a.C.), Aníbal chega a Itália – “...está na planície, não sem ter perdido durante essa longa marcha, seja sob os golpes dos inimigos, seja sobre as águas dos rios, seja derivada aos precipícios e ravinas dos Alpes, um grande número de soldados e mais ainda de cavalos e animais de carga. Enfim, depois de cinco meses para chegar de Nova Cartago, quinze dias para atravessar os Alpes, ele entra nas planícies cisalpinas...” (Políbio, III, 56).
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Roma perdeu o ímpeto ofensivo que caracterizou a sua pronta intervenção na Hispânia antes do início da marcha, agora a prioridade é a defesa da Itália. Os próximos seis ou sete anos de guerra serão de sucessivas vitórias púnicas, ao auge do seu poderio, cerca de 212 a.C., acontecerá uma progressiva e lenta quebra do rendimento do seu exército, por motivos que serão explanados adiante, até à derrota definitiva em 201 a.C., na batalha de Zama.
A primeira batalha na península itálica, com P. C. Cipião, foi a norte do rio Pó, no rio Tessino, em Dezembro de 218 a.C.. Antes da batalha, Tito Lívio põe os antagonistas a fazerem discursos e refere o terror dos romanos face aos maus presságios: “...tinha entrado um lobo no acampamento (...) que saiu incólume (...); um enxame de abelhas tinha pousado numa árvore sobre a tenda do general.” (Tito Lívio, XXI, 46), este apontamento, entre outros, confirma o que se disse acima (página 8) sobre as características da obra deste autor. Os cartagineses venceram, “...superior em cavalaria e por isso os campos descobertos, como são os que ficam entre o Pó e os Alpes, não convinham aos romanos para fazer a guerra.” (Tito Lívio, XXI, 47). De registar o acto heróico de um dos filhos de P. C. Cipião, salvou o pai depois de este ter sido ferido, “Era este o jovem nas mãos de quem está a glória de ter terminado esta mesma guerra, chamado o Africano por causa da brilhante vitória sobre Aníbal e os cartagineses.” (Tito Lívio, XXI, 46) – era o nascimento do glorioso herói romano. O que resta do exército de Roma some durante a noite.
No mesmo mês teve lugar a segunda batalha itálica, agora a sul do Pó, junto do rio Trébia. “Aníbal chega perto dos seus inimigos depois de ter atravessado o Pó.” (Polibio, III, 66), também tomou pacificamente Clastídio, para resolver os problemas de víveres, pois o exército havia aumentado com a chegada de auxiliares gauleses. T. S. Longo estava na Sicília lutando contra os cartagineses, com as complicações na vale do Pó, saiu da Sicília, “...tendo partido com o seu exército para o rio Trébia, junta-se ao seu colega.” (Tito Lívio, XXI, 51), que, entretanto, fortificara a área. A astúcia púnica, atitude que compensou o défice numérico, resultou e os romanos foram derrotados. (Tito Lívio, XXI, 53 a 56; Políbio, III, 68 e 69). “Espalhou-se em Roma uma tal consternação com esta derrota, que já se suponha que o inimigo chegaria às portas de Roma para a pôr a saque...” (Tito Lívio, XXI, 57).
Durante meio ano, os púnicos deambulam entre o Pó e a zona a montante do rio Tibre, atacando cidades como Placência e Victúmulos e tendo recontros de menor importância com T. S. Longo. Nas vésperas da maior vitória púnica até então, Aníbal dominava a Gália Cisalpina e o seu objectivo era, agora, a Itália central. Prevendo esse desejo, os novos cônsules eleitos, C. S. Gémino e C. Flamínio, decidiram defender os acessos à Itália central, onde contavam com aliados mais fieis que os gauleses e com um terreno menos propício à cavalaria cartaginesa. Adivinhava-se um embate entre as tropas de Aníbal e de Flamínio, este novo cônsul, eleito pelo partido democrático, não gozava de muito reconhecimento, “...renovou-se o ódio contra C. Flamínio...” (Tito Lívio, XXII, 1).
Essa grande vitória teve lugar em 21 de Junho de 217 a.C., no lago Trasímeno, a 200 Km de Roma. Mais uma vez a astúcia de Aníbal deu excelentes resultados, “...já tinham chegado a um lugar próprio para uma cilada, onde o lago Trasímeno se aproxima mais dos montes de Cortona.”, acampa num descampado, “...oculta...” a infantaria ligeira e a cavalaria. Flamínio e as suas forças, “...sem ter explorado o terreno...”, dispõem-se para a batalha, sem saber “...da emboscada que estava na retaguarda e sobre a cabeça.”, a luta foi tão intensa que os combatentes nem sentiram um tremor de terra. O descalabro romano foi total, depois da seguinte acusação “Aqui está o que matou as nossas legiões...”, o cônsul C. Flamínio foi assassinado. Morreram 15000 romanos e 2500 mercenários púnicos. O horror que a notícia provocou em Roma, mais visível no comportamento das mulheres, aumentou com a perda de 4000 cavaleiros na Ombria face a Aníbal. Esta hecatombe de 217a.C., gerou uma crise política, obrigando a república a recorrer “...a um remédio que já à muito não era empregado nem desejado, a nomeação de um ditador...”, esse cargo coube a Q. Fábio Máximo. (Tito Lívio, XXII, 4 a 8).
Roma era já ali. Mas, na verdade, a cidade eterna era de difícil conquista, pois tinha uma forte “entourage” de colónias que a protegiam, estava bem fortificada (aos púnicos faltava material de cerco) e, apesar de terem sido destruídos o equivalente a dois exércitos consulares, restava ainda as forças da Hispânia e de C. S. Gémino “...receando já pelas muralhas da sua pátria, para não deixara cidade em tão grande perigo, tomou o caminho da cidade.” (Tito Lívio, XXII, 9). Por isso, o exército cartaginês optou por deambular pelo norte e centro, entre as costas tirrena e adriática da península em busca do mar e dos reforços que não chegavam – os romanos tentavam empurrá-los sempre para longe da sua cidade – a fim de afastar as populações da área da causa romana, mas uma das estratégias de Q. Fábio Máximo era fortalecer a coesão da confederação romana, dificultando os objectivos púnicos. A conjuntura (exposta no relatório) militar, política e até religiosa que se seguiu (Tito Lívio, XXII, 9 a 43) serviu de preparação para a grande batalha de Canas, notabilizada “...com a derrota dos romanos.” (Tito Lívio, XXII, 43).
Na Hispânia, os dois primeiros anos de guerra (Tito Lívio, XXI, 59 a 61; XXII, 19 a 23), não tão negativos para os romanos como na Itália, foram passados a tentar impedir o abastecimento de Aníbal pela retaguarda, visto que directamente por mar era impossível dada a superioridade naval de Roma e o facto de Aníbal não ter um porto em seu domínio, como veremos esta estratégia iria trazer ao exército cartaginês na Itália consequências negativas irrecuperáveis. Os Cipiões dominavam a costa desde a foz do Ródano até à foz do Ebro. Mais uma nota referente à cultura e mentalidades da época: depois de tomarem uma praça hispânica, saquearam-na, mas os seus bens eram pobres, “...mobílias toscas e escravos baratos...” (Tito Lívio, XXI, 60).
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Em Agosto de 216 a.C., junto da aldeia de Canas, teve lugar a maior derrota romana de toda a guerra, aquela pela qual Aníbal é ainda estudado nas academias militares. O relato da batalha (Tito Lívio, XXII, 44 a 50) e as consequências próximas (Tito Lívio, XXII, 50 a 61) é uma sucessão de catástrofes romanas, atingindo o auge do masoquismo aquando da contabilidade das perdas: “...morreram 45500 soldados de infantaria e uma porção aproximadamente igual de cidadãos e aliados (...) ficaram prisioneiros naquele combate 3000 soldados de infantaria e 1500 de cavalaria.” (Tito Lívio, XXII, 49). As contas actuais são mais contidas, cerca de 40000 soldados romanos e 6000 mercenários, maioritariamente gauleses, mortos e prisioneiros.
A batalha foi em terreno aberto, sem possibilidades de surpresas como no lago Trasímeno, a frente romana, bastante mais ampla, rodeou os cartagineses de uma tal forma que se chegou a pensar numa vitória de Roma, mas nos flancos a cavalaria púnica venceu a sua congénere oposta e, rodeou, por sua vez a infantaria romana viu-se encurralada entre a cavalaria e infantaria púnicas e dissolveu-se no caos. Este é um clássico exemplo da manobra de duplo envolvimento, forma de uma força inferior derrotar uma superior em terreno aberto. Ambos os cônsules morreram e Tito Lívio coloca na boca de um deles, L. Emílio, a prioridade que se seguia: “Vai, comunica oficialmente aos senadores, que fortifiquem a cidade de Roma e a reforcem de tropas antes do inimigo chegar (...) perseguiu-os (...) ao cônsul cobriram-no de dardos...” (XXII, 49).
A Aníbal restava fazer opções. Uma era atacar Roma – “...Maarbal, general de cavalaria, diz: (...) dentro de cinco dias banquetear-te-ás vencedor no Capitólio...” (Tito Lívio, XXII, 51) –, mas ele achou o seu exército incapaz de fazê-lo, optou, então, mais uma vez, agora com mais sucesso, chegar a si os aliados de Roma. Na sequência de Canas algumas cidades, entre as quais Cápua, a segunda cidade da Itália e um centro industrial, desertaram da aliança de Roma, “...o tempo dos campanienses chegou, não apenas de tomar posse dos territórios tirados pelos romanos injustamente, mas para se tornarem mestres de toda a Itália...” (Tito Lívio, XXIII, 6). Todavia não era suficiente, Aníbal sabia que enquanto a cidade inimiga tivesse um sistema de alianças a apoiá-la nunca conseguiria, apesar dos êxitos militares, derrotá-la.
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O aspecto mais visível em Roma de desespero, mas, também de esperança, foi o contínuo trabalho do Senado, Tito Lívio dá um exemplo desta dicotomia: depois de um discurso inflamado, apologia das virtudes romanas, em plena Cúria Hostília, a audiência “...levantou-se logo uma gritaria de lágrimas da multidão que estava no comício, e estendidas as mãos para o Senado, pedindo que lhes restituíssem os filhos...” (XXII, 59 e 60). Q. Fábio Máximo foi eleito cônsul e chefe do reduzido exército romano. Levou a cabo a sua estratégia de fatigar o adversário, apoiando-se nas cidades aliadas que não haviam desertado para o lado de Aníbal, protegendo-as de possíveis ataques. Aníbal dificilmente levaria a cabo um cerco, pois o seu exército estava também debilitado e receava, que a meio de tal, surgisse Q. Fábio Máximo. Assim, Aníbal estava encurralado, apesar da sua superioridade militar aparente, no meio da Itália, sem conquistar a Campânia, sem acesso ao mar e sem reforços de África ou de Hispânia. Pode-se concluir desta situação que os púnicos perderam a guerra devido ao facto de Roma não ter entrado em colapso após Canas.
No plano diplomático, Aníbal foi mais feliz. Fez um acordo com Filipe V, rei da Macedónia. “A luta entre os dois povos mais poderosos da Terra concentraram a atenção de todos os reis, mas principalmente de Filipe, rei da Macedónia, vizinho da Itália, só o mar Jónico os separava.” (Tito Lívio, XXIII,33). A permanência romana na Ilíria, a aliança com Apolónia ou Epidamnos que aconteceram, como vimos, no intervalo entre as guerras cartaginesas, não eram da simpatia de Filipe que queria expulsar de lá os romanos, dominando ele essa zona, com o apoio cartaginês, que suponha prováveis vencedores da guerra, em troca dava o apoio de tropas terrestres em solo italiano, desde que transportadas por barcos púnicos. Este pacto top secret foi descoberto por Roma, pois uma armada romana surpreendeu os embaixadores do outro lado do Adriático. O Senado, um dos principais responsáveis pela vitória final, rapidamente soube deste pacto e entrou logo em acção enviando para a Ilíria uma armada, impossibilitando o transporte das tropas. Mais uma vez a marinha romana mostrava a sua inequívoca superioridade.
Segundo J. Cousin (pág. 60), o comportamento dos antagonistas em termos marítimos foi bastante desequilibrado entre eles. Os romanos começaram a guerra com 240 barcos (20 massaliotas), entre 214 / 209 a.C., varia entre os 215 e os 235. Segundo os números dúbios dos autores antigos, construíram em 218 / 217 a.C. 60 navios, em 214 a.C. 100 e em 208 a.C. 20. A supremacia naval de Roma não permite a Cartago abastecer Aníbal, mas permite, por seu lado, enviar uma armada a Hispânia, à Ilíria e abastecer-se a ela própria, por outro lado, o exagero de frentes de combate não permite, apesar da hegemonia, uma total vigilância, assim, a defesa de Lilibeu, da Calábria, de Siracusa, Tarento, Brundísio, Sardenha, Ligúria (desembarque de Magão em 205 a.C.) fica debilitada; a ofensiva de Cipião, o africano a Útica em 203 a.C. é feita com forças reduzidas; a vigilância das Baleares e Cartagena é deficitária, pois a armada fica-se por Tarragona; os chefes militares no mar são os mesmos que em terra e efémeros. Mas, mesmo com estas anomalias romanas, Cartago não tem a força para constituir uma forte força naval, ou por causa da desmobilização do fim do conflito anterior, ou devido à política comercial na Hispânia, ou à difícil recruta de uma população nómada (causa do mercenarismo). Eis, no fundo, as causas de as vitórias terrestres de Aníbal não terem correspondido a uma vitória final.
Antes de regressar a Itália vejamos a situação na Hispânia. Os romanos comandados pelos Cipiões consolidaram a sua situação em África, entre 215 / 213 a.C., tomando Sagunto, Urso, Cástulo e conquistando posições na zona argentífera da Sierra Morena, “Em Roma, onde essa novidade foi anunciada pelas cartas dos Cipiões, comemorou-se menos a vitória que a impossibilidade de Asdrúbal chegar a Itália. (Tito Lívio, XXIII, 29). Em 212 a.C. os púnicos respondem com três exércitos, comandados, cada um, por Asdrúbal, Magão e Giscão. Em 211 a.C. os Cipiões são isolados e, traídos pelas forças indígenas, são derrotados e mortos, uma pequena parte da Hispânia romana é salva por L. Márcio (Tito Lívio, XXV). C. Fabião refere menções contraditórias em relação ao ocidente peninsular em Políbio (fragmento livro X) e em Tito Lívio (XXVI, 19), por motivos explanados no relatório só pode confirmar esta informação em Tito Lívio. Pelo que parece, Polibio refere que no Inverno de 210 a.C., Magão se instalou junto dos Cónios, o filho de Giscão, Asdrúbal na foz do Tejo e Asdrúbal Barca na Carpetânia, sul da Meseta Central – todos longe da área de combate, presença talvez devida a instabilidades regionais. Tito Lívio refere Magão a norte de Cástulo, Asdrúbal Barca perto de Sagunto (?? – era dominada pelos romanos) e Asdrúbal, filho de Giscão, perto de Gades. Pelos motivos já referidos Políbio é mais fiável. O actual território português não foi directamente atingido pelo esforço de guerra, mas parece ter havido uma ruptura nas relações com o sul.
Após a morte de Hierão II, o governo popular que lhe sucede abandona a aliança com Roma, como o fez pouco tempo antes Cápua, “...a aliança com Roma tinha sido rompida...” (Tito Lívio, XXIV, 6). Roma não conseguiu renovar a aliança, faz, então, um bloqueio a Siracusa, que Cartago tentou impedir com uma força expedicionária comandada por Himílcone e uma armada de 55 barcos sob a ordem de Bomílcar, chegaram a ocupar Agrigento, mas face à superioridade romana regressaram a África. As esperanças de Aníbal puder contar com a Sicília terminaram.
De regresso a Itália. No Inverno de 212 / 213 a.C., Tarento, o maior porto da península, abre as portas aos púnicos, que ficam mesmo assim sem acesso ao mar, pois na cidadela ainda resiste a guarnição romana (Tito Lívio, XXV). Mas, toma outras cidades costeiras, como por exemplo Metaponto. Têm, finalmente, acesso ao mar, mas de pouco lhes serviria, pois, tirando a excepção de Locros em 215 a.C., nunca receberam reforços, e quando estiveram mais perto de receberem (Asdrúbal e Magão) foi via Alpes e não via Mediterrâneo. Em Tarento, sem apoio, pois as esquadras romanas, como vimos, estavam com excesso de trabalho (Ilíria, Hispânia, Sicília), cai a resistência, a armada púnica mexe-se sem problemas no sul da Itália. Umas segunda e terceira tentativas de Bomílcar socorrer Siracusa, não surtiram efeito e Siracusa cai em 212 a.C., após três anos de cerco, às mãos de C. Marcelo.
A presença de Roma em demasiadas frentes fragilizam-na, boa ocasião para reforçar Aníbal, apesar do seu papel medíocre na Sicília a armada púnica podia agora transportar as forças macedónias do irrequieto Filipe V. Mas os romanos prevendo essa situação fazem um acordo com a Etólia (Tito Lívio, XXVI), que entrou logo em guerra com a Macedónia, ajudada por uma frota romana de 25 barcos. Filipe V foi obrigado a concentrar as suas forças na luta grega, prejudicando as ambições de Aníbal. Bomilcar podia facilmente destruir os 25 barcos e transportar os reforços, mas faltava ao almirante espírito de ofensiva, contentando-se em bloquear Tarento.
Em 212 /211 a.C., Aníbal estava em dificuldades por falta de apoio, ocupado no sul, perdeu Cápua (Tito Lívio, XXVI) e foi obrigado a lutar apenas para preservar os terrenos conquistados. Mas, até a sul ia perdendo terrenos, em 209 a.C., Fábio Máximo ocupa, graças a uma traição, Tarento (Tito Lívio, XXVII). A tentativa desesperada de Aníbal recuperar Cápua patenteiam bem as suas dificuldades, sem possibilidades de cercar a cidade, dirige-se para Roma na esperança que os romanos o seguissem, debilitando a defesa de Cápua. A manobra de diversão não resultou e Aníbal fixa-se no Brútio até 203 a.C.. A forte esforço romano de recruta estava a dar resultados, disponha de 25 legiões, o equivalente a 200000 soldados.
Quando abandonamos a Hispânia, esta era dominada pelos púnicos, esta situação podia libertar tropas para reforçar Aníbal. Todavia, o Senado, desejoso de uma política mais activa, entregara em 210 a.C., o comando procônsular de Hispânia a P. C. Cipião de apenas 25 anos, filho do anterior chefe que morrera lutando Asdrúbal (Tito Lívio, XXVI). Os romanos perceberam que só vencendo aqui derrotariam de vez Aníbal. Cipião em 206 a.C. com a rendição de Gades expulsara para sempre os púnicos da Hispânia e afirmava o domínio romano. logo em 209 a.C., num golpe de mestre, conquistava Cartagena, pouco depois dominava a Sierra Morena, sustento da guerra. Em três anos de campanhas ciclónicas o levante e sul da Ibéria era romano. Asdrúbal após uma disputa com Cipião, em Bécula, no ano de 208 a.C., conseguiu esgueirar-se para norte com três exércitos e elefantes (Tito Lívio, XXVII). Apesar dos sucessos não foi evitado o principal perigo para Roma – a possível ajuda a Aníbal. Asdrúbal em 207 a.C. já está no norte da Itália, auxiliado por gauleses, o objectivo é juntar os exércitos dos dois irmãos. A inquietação em Roma é grande, os emissários púnicos são capturados e Roma fica a par de tudo. Dois exércitos cônsulares são organizados, cada um para um dos dois inimigos. Ao exército de M. Lívio Salinator, o adversário de Asdrúbal, junta-se no rio Metauro, C. Cláudio Néro, o suposto adversário de Aníbal, que conseguiu ir com uma parte do exército dirigir-se para norte. Assim, os dois exércitos juntos, arrasam Asdrúbal na batalha do rio Metauro, a última grande batalha em Itália.
Aníbal inactivo no Brútio perdia a última esperança, Cipião derrota a resistência hispano-púnica na batalha de Ilipa, Magão é obrigado a sair da Hispânia. Assim, Cartago privada das minas e tropas hispânicas, perdia a iniciativa e a vantagem.
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Cipião estava-se a tornar no herói da guerra. Partiu para a Macedónia, onde em 205 a.C. obrigou Filipe V a aceitar a Paz, Cartago perdia o seu principal apoio (Tito Lívio, XXVI). No mesmo ano foi candidato a cônsul, no seu programa previa um desembarque em África, esta hipótese de guerra ofensiva e uma provável vitória definitiva rápida, foi do agrado do povo. Cipião foi eleito. Mas, este programa não passou sem resistência, Fábio Máximo pretendia uma Paz de compromisso, deixando a Cartago as suas possessões africanas. Cipião com uma visão mais imperialista pretendia, além de expulsar Aníbal da Itália, eliminar Cartago como grande potência.
O Senado entregou-lhe a província da Sicília com autorização de passar a África, no entanto teve sérias dificuldades em organizar e pôr de pé a sua expedição (Tito Lívio, XXVII).
A perspectiva de uma invasão inquietou Cartago, o seu Senado acaba por tomar algumas atitudes desesperadas: apoia Magão numa terceira invasão a Itália e apoia directamente Aníbal. Mas, os resultados são medíocres, Magão limitado à Ligúria acaba por ser derrotado e Aníbal não sai do Brútio, acaba derrotado pelo cônsul Semprónio em Crotona. Na conjuntura das alianças entre Cipião e os outros povos africanos (ver relatório), Roma perde um apoio importante, o de Syphax, o principal príncipe númida, mas conta ainda com Massinissa.
Em 204 a.C. Cipião desembarca em África. A missão correu mal e os romanos acabam encurralados numa pequena península rochosa (Castro Cornélio) pressionados por tropas púnicas e númidas (Syphax). Cartago podia ter destruído aqui esta força expedicionária, mas dada a conjuntura geral preferiu negociar. Esta atitude permitiu a Cipião viver a belle époque de 203 a.C., em Abril derrotou os africanos, em Junho aprisionou Syphax, era o fim do apoio númida a Cartago, Massinissa recuperou os territórios que Syphax lhe tinha tirado.
Aníbal prepara-se, 36 anos depois, para regressar a África, juntamente com os seus 20000 homens, no Outono de 203 a.C.. Ao chegar levanta o seu quartel de Inverno em Hadrumeto.
Dá-se, então lugar à diplomacia, em 202 a.C. Cartago aceita um tratado de Paz humilhante: devia entregar os prisioneiros e desertores romanos; evacuar a Itália, a Gália e as ilhas situadas entre a Itália e África; renunciar à Hispânia; reduzir a sua frota; pagar uma indemnização de 5000 talentos e abastecer o exército romano até à consolidação da Paz.
Cartago ao aceitar estas condições deixava de ser uma potência mediterrânica e passava a sê-lo apenas em África. Entretanto, as intrigas senatoriais em Roma retardaram a ratificação do acordo, isto deu tempo para o originar de um sentimento de desforra no espírito púnico: juntamente com o regresso de Aníbal que deu força ao partido da guerra em Cartago, o clima interno, de crescente escassez, era propício a uma revolta. O clima tenso de guerra, encontrou um pretexto para explodir num ataque a um comboio de reabastecimento romano. A guerra recomeça, “Já não é só a África ou a Itália, é o Universo inteiro que será a recompensa do vencedor.” (Tito Lívio), XXX, 32).
Aníbal reúne em pleno deserto a menos de 100 Kms de Cartago, um exército de 40000 / 50000 soldados de valor desigual, falta-lhe pela primeira vez a cavalaria, tenta substitui-la por 100 elefantes. A batalha começou em Zama, em Outubro de 202 a.C.. Os romanos tinham agora a primazia na cavalaria. Aníbal colocou os elefantes em linha em frente da infantaria e fê-los avançar como se trata-se de uma carga de cavalaria. Mas, Cipião ao saber isso já tinha premeditado um plano, os romanos mudaram instantaneamente de formação fazendo os elefantes passarem pelas suas fileiras. Aníbal dependia deste primeiro ataque, depois foi a debandada, Cipião usando muitas das tácticas de Aníbal, fez a tradicional manobra de flanqueamento da infantaria pela cavalaria, e venceu tão estrondosamente que fez lembrar as vitórias iniciais de Aníbal.
Cartago rendeu-se, o novo acordo de Paz muito semelhante ao anterior, foi agravado nalgumas questões, agora a ex-potência só podia fazer guerra em África, com um pequeno exército, e com autorização de Roma – era uma verdadeira cidade vassalo. O tratado foi ratificado em Roma no ano de 201 a.C..
A Itália estava destruída, nomeadamente o sul, mas, no entanto, Roma preparava-se para dominar o mundo.
As consequências
Este exemplo diz muito: um fosso marcava os limites do território cartaginês, e se os púnicos o transpusessem era o mesmo que declarar guerra a Roma. a este estado de dependência terá tentado lutar Aníbal, mas uma denúncia obrigaram-no a ir para Oriente.
A Segunda Guerra Púnica foi um ponto de viragem na história romana, com profundas implicações para a República. A mais imediata foi a aquisição do Império, no espaço de cinquenta anos Roma adquiriu a maior parte do Mediterrâneo ocidental. A República tinha agora que ajustar as a administração, a política externa e sistema de alianças para governar esses novos territórios.
Para isso precisava de um exército em cada um desse pontos, assim o exército transformar-se--ia na chave do Império e teria um papel primordial na sociedade.
A única potência que restava era a Grécia, Roma já havia lutado a Macedónia, não tardaria iria subjugar o resto da zona. Outra ameaça a Roma era Aníbal, ou seja, a sua memória que nunca mais largaria Roma.
Os 14 anos que Aníbal passou em Itália foram o suficiente para a destruir. O sul da Itália ficaria para sempre empobrecida, as cidades destruídas, as colheitas perdidas, a quebra demográfica, o sofrimento das populações – todas as vicissitudes pelas quais passou o homem comum foram propositadamente esquecidas neste trabalho, mas são tão importantes como o resto.